sexta-feira, abril 9

A igreja

Daí que ontem eu saí do treino e resolvi mudar o caminho para casa. Ao invés de fazer o mais curto, fui por outro, uma ou duas quadras mais longe que o habitual, é como dar uma volta a mais apenas para sair da rotina.

Antes do final da primeira quadra vejo crianças correndo numa espécie de jardim na frente de um prédio meio diferente, ao menos, diferente do nosso normal, da nossa cultura. Olho de novo e lembro que é uma igreja, daquelas, como é, dos santos dos últimos dias, igreja diferente.
Uma mocinha de uns oito anos correu até um carro que se locomovia vagarosamente pela frente do lugar, ela abriu o portão de grades altas e roxas e se enfiou no carro com velocidade, logo depois ficou olhando pela janela vendo os outros terminarem a brincadeira de pega-pega.

Aquela cena foi ótima, acabei parando para pensar o seguinte, e se a idéia de igreja fosse diferente? Quer dizer, não quero cultos, não quero deuses nem nada dessa coisa que nos lembra igreja, pensei na idéia de um grupo de pessoas que transforma um ato em tradição, para que com o tempo se tornasse sagrado.

Sabe, um grupo qualquer mesmo, vamos fazer assim, domingo que vem, tem churrasco lá em casa, e todos os primeiros e terceiros domingos do mês, haverá um churrasco com carne, muita carne e bebidas a gosto dos participantes. Vamos dar um nome para esse grupo, vamos juntar dinheiro e construir uma cede aonde se faria uma bela churrasqueira. Isso é muito tri cara!

A idéia de igreja, pensa, fizemos aquele esquema de criar uma igreja por lei, dai compramos o primeiro terreno para churrasqueira em nome da igreja. Depois vamos começar a pagar nosso dízimo, que nada mais será que cobrir os gastos de um organizador (vulgo padre) que se encarregará de tocar o rebanho (o gado para o matadouro), ele vai carnear, comprar carvão, todo o resto, verificar certinho quem tem comparecido a igreja e incomodar quem não aparece, assim transformamos um encontro divertido em tradição, para que depois de algum tempo se torne sagrado e nossas mulheres já façam a maionese e tortas de bolacha sem reclamar, cada um teria uma pequena rotina sagrada a qual não se deveria quebrar.

Sabe, começo a gostar da igreja, da minha ali. A igreja é aquele futebol de quarta, o bar da quinta ou ainda os churrascos mensais. Só deveria ser levado mais a sério, mais... como se deve dizer... não sei... deveríamos ser mais fanáticos por esses encontros. Quem sabe até se juntar em dois sábados do mês para jogar age, ou ainda, tib... é talvez só churrasco já esteja bom.

Só precisamos de um nome, já conheço alguns adeptos...

quinta-feira, abril 8

monark 10

ahhh nostalgia...

Estou com meio quarto no chão, uma bagunça organizada, quer dizer, ali está o monte de roupa limpa, ali o de roupa suja, ali no canto são coisas pra guardar, ali no outro, é lixo. Esse ali no meio, perai, também é lixo.
No meio disso tudo achei que seria interessante rotular os cds e dvds que ainda não estavam rotulados... alguns foram fora, outros não, alguns eu abri pra olhar.... bom, num desses encontrei... nome do cd é coisas da familia, o nome de cada um, imagens, fotos....

Abri e me deparo com o passado. Pastas e mais pastas de fotos da nossa primeira e velha camera, além de coisas que não eram tiradas com nossa camera, mas que apareciam por que era mais comum tirar fotos e compartilha-las por msn.

É estranho, mas foi justo hoje a noite que dei uma bela volta de bicicleta com a monark 10 emprestada do irmão da re. Jóia de bicicleta, velha, meio enferrujada também doi a bunda, mas é tri. Voltando da volta até o centro sinto aquele cheiro... não sei nem como explicar, é uma temperatura certa, um batimento cardíaco certo, suor na medida o cheiro de... como eu já chamei, "wind of changes".
Agora, depois de ver a inauguração do rock ali na frente do kchurrasco, depois de ver fotos do outro país, fotos de quando fui mais magro, de quando fui mais gordo ainda, de quando tinha muito pouco cabelo e um monde deles, de quando usava sempre all star vermelho... poxa, faz algum tempo... é como uma... uma onda... no ar, por dentro das veias... encontrei até... heheh, que coisa... isso não é de minha autoria, eu colaborei, mas não foi sozinho, não mesmo. Aos que se recordam... precisamos de mais inspiração...

I was alone lying on my bed
It was Saturday night and I didn't want to stand in home
So I take the phone and call to my friends
I invite them to rock around, and they did* understand

I took the car and speed fast
I pick up my friends and we came to this land

It's cold and dark, have freezing wind that I like
Let's rock, let's roll
This night sounds cool
We didn't get a destination
We drunk a jug of wine
But every thing was well
Cause every street ends in hell

Esta, segundo o nome do txt, foi chamada de Every street ends in hell...

segunda-feira, março 22

segundo

Voltei ao treino hoje, aquela coisa de começar uma mudança na segunda, sabe como é...

Bom, negócio é bem simples, falamos bastante do elevador do prédio em que a empresa se mudou, ele é meio rápido e até que bonitinho por dentro, daí chego em casa depois do treino, meio cansado, tava até por ir pelas escadas, mas daí vi a vizinha gorda entrando, essa que mora no mesmo andar que eu, ela é grande... bom, pensei... se for de escada é quase falta de educação, afinal, acho que ela nem consegue ir até o quarto andar pelas escadas, resolvi ficar. Ah sim, eu sei que ela não gosta de mim, mas o momento confirmou tudo.
- Oi.
Ela respondeu com um breve, realmente breve, aceno de cabeça. Entrei no elevador e apertei o botão quatro mais e uma vez, permitindo que ela visse que sei que ela é minha vizinha, praticamente fazendo assim: uma vez eu aperto para mim e a outra para ela.
Bueno. Ela entrou e se posicionou perfeitamente no meio do elevador, ocupando muito espaço (bola), eu me espremi para um canto, confesso que me espantei por ela não saber do padrão de comportamento humano em elevadores. Um, no meio, dois, meio a meio, três um triangulo, quatro um quadrado e assim por diante, mantendo sempre uma distância boa entre cada pessoa a fim de deixar todos confortáveis com seus espaços.
Depois de me espremer, ela parecia que resmungava alguma coisa, qualquer coisa, e levantou a mão para apertar o botão do elevador, que eu já tinha apertado. Apertou o quatro. Resmungou mais alguma coisa de maneira instantânea e apertou o dois.
Gorda.
Gorda gorda gorda balofa baleia saco de areia bola lua balofa fofa fofuxa gordaça bola de banha gorda gorda. Nossa, elevador para ir até o segundo andar sem carregar nada nas mãos. Mas tem mais é que morrer pela boca.

Logo parei e pensei: Que estupidez, o elevador deixou ela ir até o segundo e nós estamos no primeiro!
Quanto será que poderíamos economizar, se isso fosse meio que proibido? Quer dizer, nunca ir dois andares acima ou abaixo do andar atual, isso faria as pessoas caminharem um pouco mais, economizaria energia... nossa, pra mim naquele momento era quase uma salvação mundial.

Acabou ela demorando mais ou menos trinta segundos a mais apenas para desembarcar o poço de banha no segundo andar. Triste... gorda.